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A fé do imigrante...fé em quê?


Sabe quando você mora fora do seu país e do nada você ouve uma música da época em que você era adolescente e ainda morava no seu país e aí um monte de lembranças e emoções inundam aquele seu momento? E depois disso, a bendita música fica o tempo inteiro na sua cabeça? Daí, você ainda se pega cantando e lembrando da música... lembrando e cantando?

Pois é, assim estou eu! Uma música que cantei, dancei e ouvi demais enquanto morava no Brasil começou a aparecer insistentemente na minha lista do spotify. Lógico que o spotify andou me “bisbilhotando”para colocar essa música como sugestão na minha lista de músicas que uso para fazer exercícios.

Bem, se você passou sua adolescência nos anos 80, você deve também ter ouvido essa música dos Paralamas do Sucesso tocar zilhões de vezes no rádio e talvez, assim como eu, você tenha dançado muito também...

Na época que foi lançada, essa música recebeu muitas análises feitas por renomados críticos da música, e sempre com o olhar analítico voltado para o cunho politico-social, da realidade que tínhamos no Brasil naquela época: o descaso governamental com a pátria e com seus cidadãos, das pessoas lutando pela sobrevivência, enquanto a imagem que o estado vende para o mundo é outra, do cartão postal, que enche os olhos de quem mora fora do país, criando uma expectativa de que tudo é lindo, fácil e que se vive 24 horas de festa no Brasil.

Ao meu ver, se esta música fosse lançada hoje, ela continuaria atualizadíssima, visto que o descaso governamental é algo corriqueiro e de longas datas, e que infelizmente se tornou parte da cultura do nosso país.

Você deve estar curioso para saber qual é a música a qual me refiro, não é? Você vai já saber pois vou incorporá-la neste artigo logo, logo. Só que preciso explicar pra você que esta música também me fez fazer uma outra analogia, voltada à realidade de muitos imigrantes em todas partes do mundo. Algo que tenho visto de perto através do contexto da minha vida profissional.

A fé e o sonho do imigrante

O imigrante busca um sonho e este sonho vem do que ele vê na tv, na internet, nas revistas, nos cartões postais, do que as pessoas falam. O imigrante sonha em ter uma vida melhor em outro lugar, ter a vida de uma outra pessoa que ele acredita que seja melhor que a dele. Ele quer viver naquele lugar que ele acredita que é melhor do que o local onde ele nasceu e onde ele vive. Ele acredita que se ele imigrar, tudo vai der certo no seu novo destino de moradia, que as coisas vão se ajeitar muito rápido por lá, e que ele vai ter a vida que ele sempre sonhou, assim que ele começar sua nova vida nesse novo lugar. Em resumo, a fé num sonho de conto de fadas!

Muitas expectativas são criadas, sonhadas e desejadas. Na maioria das vezes, esta pessoa não tem idéia de como a sua vida pode mudar de uma hora para outra, neste local dos sonhos... só que mudar para algo bem diferente do que ela havia sonhado.

E aí, já no novo local de moradia, o conto de fadas passa pela fase da lua de mel, onde tudo é lindo, maravilhoso e promissor. Só que como no conto de fada da cinderela, a batida do relógio determina que as coisas vão voltar ao que eram antes e que nada pode mais continuar como no conto. E o conto então começa a desandar, bate o desespero, o sonho do conto começa a se desmoronar.

Uma nova realidade vem à tona, o dinheiro está acabando, tem que pagar o aluguel, comprar comida, pagar o transporte, pagar as contas…como assim, tudo igual ao que era antes? Sim meu caro, e algumas vezes até pior…

A pessoa então se depara com uma nova realidade. No novo local de moradia ela não conhece ninguém, não fala a língua local (ou pelo menos não tão bem) vai morar num ambiente desconhecido, dividindo um quarto mínimo com pessoas que ela nunca viu na vida e que ela percebe que não se sente bem estando ali, só que o dinheiro que ela tem só dá para pagar aquilo...um cafofo!

“Todo dia o sol da manhã vem e lhes desafia,

traz do sonho pro mundo quem já não o queria.

Palafitas, trapiches, farrapos:

filhos da mesma agonia”

É quando a vida parece um farrapo. O que a pessoa consegue ver é apenas um trapiche e não uma casa, muito longe de ser um lar…e aí, o sentimento de impotência parece tomar conta do seu ser e ela se pega peguntando constantemente a si mesma:

“O que foi que eu fiz da minha vida? O que estou fazendo aqui?”

E aí, essas dúvidas se aglomeram à outras inúmeras dúvidas, e elas vêm como uma avalanche, tranzendo ao peito uma grande agonia e travando um diálogo interno infinito… “Devo ficar? Devo largar tudo e voltar para onde é meu lugar? Mas se eu ficar mais um pouco talvez eu consiga chegar lá… Mas se eu ficar eu estou perdendo a chance de estar perto da minha familia, no meu país, com meus amigos… Se eu voltar vou parecer derrotado...Mas o que vivo aqui não é vida… em ambos os casos...humilhação”.

E essa nova rotina se torna um fardo, cheia de frustrações diárias, bem diferente daquele sonho que foi criado através das imagens de tv, de revistas, da internet. O que parecia um sonho de conto de fada, tão perfeito e irresístvel, já não tem mais o brilho nem o glamour de antes, mostrado pelo cartão postal…

O imigrante se sente então isolado, sem vantagens, sem perspectivas, sem sonho. Ele passa a ver o novo local de moradia como um peso, um fardo, que tudo é difícil e que ele não tem oportunidades, tudo parece conspirar contra ele…a realidade é outra. O sonho virou parte do passado, e que se torna um fantasma no presente, lembrando-o do que ele deixou pra trás, e ele se pega novamente se perguntando aonde ele poderia estar se tivesse continuado vivendo em seu local de origem. A comparação entre os dois mundos parace ser constante, inevitável e muito, muito dolorida...

“E a cidade que tem braços abertos num cartão postal,

com os punhos fechados na vida real,

lhes nega oportunidades,

mostra a face dura do mal”

Acreditar

Todo ser humano precisa acreditar em algo para se mover adiante, algo que ele possa crer que vale a pena viver. Mesmo nos momentos em que tudo parece estar indo por caminhos não traçados, se faz necessário acreditar que algo vai acontecer, algo vai mudar. Caso, contrário, qual seria a função de viver?

No caso de um imigrante, qual seria a função de ficar lutando para se dar bem no novo local de moradia? Qual seria o real motivo por trás da decisão de migrar? O que o levou a acreditar que seria diferente? Qual o fruto dessa esperança?

E, acreditar em quê, especificamente?

Muitas pessoas acreditam acreditar em algo, só que na verdade, elas nem sabem realmente no que elas acreditam, o porquê acreditam naquilo que elas dizem acreditar.

“A esperança não vem do mar,

nem das antenas de TV.

A arte é de viver da fé,

só não se sabe fé em quê”

A crença que a vida vai ser melhor em outro país ou cidade precisa ter um fundamento maior do que apenas “uma melhor qualidade de vida, um emprego melhor, viver novas experiências”, e outras coisas do gênero. Pode parecer um tanto desconexo o que estou dizendo, no entanto, esta é a realidade que vejo diariamente entre meus clientes, e uma realidade que também me confrontou por ser uma imigrante.

A arte de viver na fé, e não saber nem no quê se tem fé, pode ser uma grande armadilha e que pode manter uma pessoa passiva diante de situacoes ou até mesmo ante à tomada de decisões que vão contra ao que ela realmente quer (se ela souber o que quer verdadeiramente). Na vida de um imigrante, isso pode se tornar um peso, até o momento em que ele sente que não valeu a pena ter tido fé de que tudo um dia seria diferente num outro local de moradia.

Na minha convivência diária com imigrantes de todas as partes do mundo (não apenas brasileiros), percebo que muitos imigrantes que já vivem há muito tempo fora dos seus locais de origem continuam se sentindo flagelados, esfarrapdos, desconectados, desintegrados, frustrados. Estes imigrantes estão geralmente fazendo algo que não gostam de fazer, e, que um dia, nem imaginavam que poderiam fazer.

Eles vivem ou viveram em condições que jamais imaginavam poder viver… as dores e insatisfações do passado se tornaram mais viçosas e eles se sentem estagnados, culpando a falta de oportunidades que não lhes é dada no novo local de moradia. Se sentem infelizes, reclamam do local, das pessoas, da cultura, do sistema...

E esse sentimento de instagnação também está presente até mesmo entre imigrantes que conseguem se estabelecer, diga-se, financeiramente, depois de algum tempo no novo local de moradia.

O relato que ouço muito comumente entre este grupo de imigrantes é o fato da pessoa ter passado por muitos perrengues durante o processo imigratório (situações algumas vezes inimagináveis para muitos), e que deixaram marcas no passado e que essas marcas parecem lembrá-la diariamente da batalha que ela teve que travar para conseguir chegar aonde ela conseguiu chegar, ao mesmo tempo em que ela também acredita que deixou de viver algo precioso em seu local de origem.

Esses imigrantes se culpam por estar longe da família, dos amigos, por terem perdido oportunidades de vivência e convivência com a família e com os amigos que deixaram pra trás.

Uma outra história de imigração

Há também o grupo de imigrantes que migra com um emprego garantido em sua área de atuação, as famosas transferências. Para estes, o processo imigratório também tem seus perrengues, visto que eles estão tendo uma grande oportunidade em suas carreiras, só que o preço é deixar pra trás o seu local de origem, amigos e parentes. Muitos imigrantes neste grupo vêm acompanhados de suas famílias nucleares, e que estas não necessariamente gostariam de ter migrado ou de estar ali naquele lugar, naquele momento. Um outro problema é então criado.

Há também os que se apaixonam por uma pessoa do outro país e resolvem construir a sua vida ao lado desta pessoa, num outro país. A chance de imigrar, de ter a vida dos sonhos ao lado da pessoa por quem se apaixonou. Como nos casos acima, a lua de mel do conto de fada no novo país dura pouco, às vezes pode até durar um pouco mais, só que as diferenças culturais despontam e a realização de que "a paixão me cegou" emerge.

Com o passar do tempo, ocorre um momemento crucial na vida de todo imigrante, o momento em que, com um pouco mais de maturidade, ele pára para pensar e chega à uma das seguintes conclusões:

a) “eu estou tão insatisfeito agora quanto antes de imigrar. Parece que o meu passado está andando lado a lado com o meu presente… vivo novas situações acompanhadas de velhas emoções…eu não sei no que acreditar, nem sei se tenho fé e muito menos no quê tenho que ter fé … não sei se quero envelhecer e morrer neste país que me acolheu ou se volto para o meu país para ficar perto dos meus”.

b) "estou feliz onde estou. Quero envelhecer e morrer no país que me acolheu"

c) "gosto daqui mas quero envelhecer e morrer no meu país"

d) "estou feliz aqui mas não sei ainda se envelheço e morro aqui ou se volto para o meu local de origem"

Saber no que se quer acreditar

Saber realmente no que acreditamos é extremamente importante para que possamos identificar de onde viemos, aonde estamos e para onde vamos. Saber no que temos fé nos permite ir adiante em nossas vidas, não apenas por ir, por ter fé, e sim sabendo no quê se tem fé.

Deixar que a vida nos leve sem dar a ela a direção necessária, sem ter um plano e estratégias reais que permitam que, por mais que o curso do plano inicial seja desviado, se possa reestabelecer o prumo e chegar onde se quer chegar.

Falta de oportunidade?

A maioria dos imigrantes que chegam até mim, se vê em situaçoes nas quais descrevi acima. Muitos deles relatam que o novo país não os proporciona oportunidades e possiblidades para que eles possam ter uma vida diferente, assim como também, um dia, eles não viram a possiblidade de continuar morando em seus países de origem, devido a falta de oportunidades para ter uma vida melhor por lá.

A desconexão que existe dentro de nós mesmos não nos permite que vejamos as oportunidades que são criadas diariamente em nossas vidas, por nós mesmos. A auto-desconexão nos leva a buscar o que nem sabemos querer, a fé de que algo pode ser diferente, só não se sabe a fé do pode ser diferente e o que esta diferença pode signifcar em nossas vidas.

As oportunidades são criadas por cada um de nós, independente de onde vivemos, independente de sermos quem somos, imigrantes ou não.

Há algum imigrante feliz?

Sim, claro que há imigrante feliz!

Há inúmeros imigrantes que se sentem confortáveis com suas decisões, imigrantes que também passaram pelos seus perrengues como qualquer outro imigrante, só que resolveram encarar a vida de uma outra forma. Esses têm uma outra percepção sobre a vida e o que dela desejam. Eles traçam objetivos, usam estratégias e seguem um plano.

Os imigrantes que se sentem felizes tem algo em comum: eles estão sempre abertos à solucões concretas e positivas para os eventos que acontecem em suas vidas.

E por procurarem soluções concretas e assertivas, eles acabam alcaçando seus objetivos. Eles estão convictos que são capazes de fazer suas vidas no novo local de moradia, da forma que sonharam e que, apesar de alguns caminhos tortuosos que possam percorrer nessas suas jornadas, eles vêem as oportunidades acontecendo em suas vidas a todo instante e as abraçam com força e com coragem!

Eles procuram se sentir melhores com eles mesmos, usufruindo de seus potenciais, deixando de lado toda e qualquer pendenga do passado, visando os resultados que querem ter em suas vidas no presente e no futuro. Eles acreditam que podem! E eles alcançam!

A fé eo sonho são essenciais!

Precisamos sim ter fé, acreditar que é possível (sem a mesmice dos falsos positivismo que se alastram pelas midias sociais), para que possamos ver e sentir a razão pela qual estamos aonde estamos, de viver da forma em que vivemos, para termos certeza que estamos fazendo o que é necessário fazer para viver os nossos sonhos.

O sonho é uma ação do presente, que acontece todos os dias em nossas vidas e que é desenhado e alcançado em cada suspiro de vida.

A pessoa que dá prioridade em reviver as dores do passado, deixa de concretizar os seus sonhos no presente e certamente a sua visão do futuro é cercada de sentimentos de medo, ansiedade, amargura e dúvidas.

No que você tem fé? Para onde a sua fé está te levando? A sua fé permite que você veja as possiblidades reais e concretas do seu sonho e do que você pode alcançar na sua vida? Quais as oportunidades que você está deixando de viver por ter fé em não saber exatamente no quê?

Oportunidade de fazer limonada

A música Alagados, dos Paralamas do Sucesso, mostra bem a oportunidade que foi utilizada pela banda. Diante de uma letra triste, eles colocaram uma música dançante, com um ritmo e uma batida contagiante. Seria muito melancólico ouvir a letra desta música num ritmo mais lento, numa batida nostálgica, certo?

A fé na oportunidade de fazer sucesso nas paradas de sucesso, utlizando-se dos limões para fazer uma limonada, literalmente aconteceu para os Paralamas do Sucesso!

Música: Alagados - Paralamas do Sucesso

https://www.youtube.com/watch?v=r6esToXGQJM

Herbert Viana é um imigrante interno. Nasceu na Paraíba, morou em Brasília e fez carreira no Rio de Janeiro.

Cema Santos é terapeuta especializada em imigração, trainer, coach e estrategista cultural (www.mymindmaster.com/inicio).

Cema mora na Austrália há quase 20 anos onde atua como mentora em Liderança Governamental no governo Governo de Western Australia - Office of Multicultural Interest of WA.

Cema é também fundadora da ONG Immigrant Business Networking Association (www.ibna.org.au) e co-fundadora da Associação Brasileira de Western Austrália (www.brazilwa.org).

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