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Passando pela adolescência dos filhos….questão de sobrevivência?

January 2, 2018

O que fazer para que uma pessoa preste atenção no que você está falando? E quando esta pessoa é seu filho adolescente? O que fazer?

 

Quando meu filho nasceu, posso afirmar que foi o momento mais feliz da minha vida! Depois de um número de gestações que não foram adiante, eu finalmente seria mãe, e de menino!

 

Recebei muitos parabéns, conselhos e dicas de como criá-lo. E uma das coisas que ouvi frequentemente de muitas mães de meninos foi: aproveita bem enquanto ele é pequeno pois na adolescência ele vai te dar muito trabalho e dor de cabeça…. Confesso que fiquei apavorada na primeira instância ao ouvir este tipo de conselho e me imaginava arrancando meus cabelos, anos mais tarde.. isso, apesar de não acreditar que meu filho fosse me dar problemas na adolescência.

 

 

 

Mas esse conselho de aproveita-lo ao máximo antes dele se tornar adolescente, me fez revisitar as memórias da minha infância e adolescência, a adolescência dos meus colegas, dos meus irmãos mais próximos a mim (por idade), dos meus sobrinhos. Me deparei com certos tipos de situações que aconteceram no passado e que não foram tão agradáveis, juntamente com outras situações que foram igualmente maravilhosas. Onde estaria o ponto de equilíbrio?

 

Me questionei como eu poderia fazer diferente para que o meu filho chegasse a adolescência com “boas perspectivas comportamentais?" 

 

Naquela época, eu não sabia tão profundamente sobre neurolinguística, porém sempre lembrava de uma coisa que minha falava para nós: “As palavras tem poder. Não desdenhe, não dê adjetivos negativos  à uma criança pois ela se tornará o que você está dizendo”. Certamente esta mensagem ficou muito mais clara quando tive meu filho... e minha mãe não tinha nenhum conhecimento formal em neurolinguística!

 Dunte a primeira infância do meu filho, minha mãe morou um tempo conosco pois eu trabalhava e estava fazendo mestrado, meu marido passava muito tempo fora, viajando à trabalho,  e para completar, eu estava morando em uma outra cidade.

 

Minha mãe sempre disse que quando eu era pequena, eu era uma filha muito carinhosa e atenciosa e que mudei da água pro vinho na minha adolescência, virei espoleta, como ela dizia. Ela também me dizia que não entendia como eu conseguia ser atenciosa e carinhosa e ao mesmo tempo muito severa com meu filho... vale aqui um parêntese (quando o meu filho caia ou se machucava, eu não ficava dizendo "ai coitadinho",  nem ficava passando a mão na cabeça dele quando ele fazia coisas que ele sabia que não eram permitdas). Para ela, por eu ter um único filho, eu deveria “dar mais amor”.  Nessa época, eu estava novamente fazendo terapia e uma das questões que eu me perguntava era: devo fazer o que minha mãe está me dizendo? Como posso mostrar pra ela que a minha visão é diferente da dela sem criar conflito? A terapia convencional não me ajudou muito a criar uma estratégia em que eu conseguisse passar minha mensagem tanto para minha mãe quanto para minha sogra da forma como eu gostaria. Decidi então falar para elas da forma que eu sabia…. que o filho era meu e que eu tinha direito de educá-lo como eu quisesse. Para elas foi um choque…usando um pouco da minha espoletice usual…

 

Anos depois, numa das viagens que fizemos de volta ao Brasil, minha mãe e minha sogra me “pegaram”para uma conversa e me disseram que com o passar do tempo elas conseguiram ver e entender o meu ponto de vista e que se sentiam aliviadas pela minha coragem de quebrar as regras e fazer o que eu queria em relação ao meu filho, até porque, meu marido viajava muito à trabalho e, quer queira ou não, as decisões sobre a criação do meu filho sempre recaíram na minha responsabilidade.

 

Hoje quando olho pra trás, vejo o quanto elas só queriam ser avós, que queriam aproveita-lo, mimá-lo…um amor infinito de avó! Eu por minha vez, queria ter certeza que eu não dependia de ninguém para educar meu filho e que as lições que eu tinha tirado das minhas observações tinham me ensinado a ver e a decidir sobre o que eu não queria que acontecesse com o meu filho…a tal da adolescência macrabra.

 

 A adolescência estava batendo na minha porta, ou melhor, na porta do meu filho. Na escola dele havia um serviço especial para os pais que estavam passando por problemas com os filhos. Havia sempre palestras sobre o comportamento de adolescentes e como lidar com tal.

 

Lembro que um dia fui numa palestra de uma psicóloga da escola cujo o tema era "como lidar com pré-adolescentes e adolescentes" e ao final da palestra, uma mãe que estava sentada na minha frente, disse em claro e bom tom que o que ela precisava era uma receita eficiente de como ela poderia ter uma conversa com seu filho pois ele não falava com ela desde de que ele entrou na adolescência…CHOQUEI total!!! Cheguei a chorar! Me deu um grande pesar ouvir aquele relato, de uma mãe desconectada de seu filho. Me perguntei se o que eu estava fazendo me manteria conectada ao meu filho durante a adolescência….e como você pode imaginar, as palavras daquela mãe ficaram comigo por um bom tempo, como um eco…

 

 Meu filho sempre foi muito calmo. Quando criança, ele era bem extrovertido. Conversávamos muito, cantávamos, brincávamos, assistíamos alguns programas de tv juntos, éramos muito parceiros. Ao entrar na adolescência ele começou a ficar retraído, envergonhado e mais na dele. Isso me deixou com pé atrás…será que vou fazer parte das estatísticas?

 

As conversas entre nós diminuiram e ele ficou mais crítico. Ele passou a desgostar de qualquer tipo de música que não fosse a clássica. Comecei a observar quais eram os melhores momentos para conversar com ele sem receber uma patadinha ou apenas um "yes, no, ou I don't know"…. Aprendi que ele já não gostava mais de conversar pela manhã quando acordava e nem quando voltava da escola. Que não queria mais falar como foi a escola, nem de ir para o cinema. No entanto, ele se mostrava mais aberto às conversas noturnas, depois de estar de barriga cheia, é claro.

 

Na nossa rotina diária, eu o deixava na escola pela manhã e o buscava depois que eu saia do trabalho, por volta das 4.30pm. Eu sempre levava algo para ele lanchar enquanto voltavamos pra casa, assim, as possibilidades de uma conversa civilizada, ou seja, utilizando não somente palavras monossilábicas, aumentavam. Conversávamos sobre suas aulas de música, sobre compositores, sobre eras musicais e tudo isso enquanto ouvíamos ABC classic FM.  Alívio, de alguma forma, continuávamos conectados apesar de alguns longos e infinitos momentos de puro silêncio entre nós pois ele queria ouvir as músicas que estavam tocando no rádio.

 

 Nos dois últimos anos da high school, ele já ia e voltava da escola de trem pois eu havia largado minha vida acadêmica e estava trabalhando mais online, de casa. Meu marido começou então a participar mais das tarefas domésticas, buscando-o no fim do dia nos ensaios das orquestras ou nos concertos em que ele ia tocar. O filhote nunca quiz saber de festa e ele se comportava bem diferente dos outros adolescentes. Muitos pais na escola me perguntavam o que eu fiz para que o meu filho se tornasse tão caseiro e tão dedicado à música visto que alguns pais estavam tendo problemas com seus filhos em questão de escola e estilo de vida... e eu ficava um tanto desconcertada em ter que responder esta pergunta sem passar a imagem de que era tudo perfeito, porque no fundo, não era. Eu também me preocupava pelo comportamento anti-social dele...afinal eu adorava festas, adorava ir ao cinema, namorar...aiiiii

 

Diga-se de passagem, sempre tive uma conversa muito aberta com meu filho…. E vale ressaltar que eu também tive “problemas” com meu filho, principalmente na escola. No ano oito, ele se rebelou contra um professor de religião, que era também coordenador da escola. Meu filho dizia que o professor não praticava o que ensinava… Fui chamada na escola porque o tal professor disse que meu filho não fazia os deveres de casa, que ele não interagia na sala de aula e que ele iria ser reprovado. Fui à escola e ao sentarmos frente à frente com o professor e o diretor da escola, pedi ao meu filho que explicasse o que estava acontendo. Meu filho se expressou abertamente, dizendo o que achava do professor.  E quando o professor falou que ele não fazia os deveres de casa e os trabalhos, eu me manifestei e disse que sim, que ele os fazia e que alguma coisa não estava batendo ali…No final das contas, descobri que o acontecia era que meu filho fazia o dever de casa enquanto estava na aula e deixava o material dentro do armário na escola e não os entregava…rebeldia!! Aí pedi que ele buscasse todo o material que estava no seu armário e para a surpresa do professor, tudo estava feito! E agora, …como resolver este conflito?

 

A rebeldia continou até o último ano da escola…agora com o professor de história e também com o professor de literatura.

Hoje, depois do primeiro ano de faculdade de música (ainda na adolescência), já namorando (uma moça mais velha), a rebeldia tomou um novo contexto...ele sabe agora como lidar melhor com as arestas…

 

As nossas conversas continuam ao redor da música, de seus planos em morar no exterior, dos concertos, sobre gastronomia, sobre o que der na telha. Já não conversamos mais sobre política pois temos visões diferentes e muito contrastantes, leia-se, conflitante!

 

E agora vem uma surpresa…Ontem à noite, uma coisa maravilhosa aconteceu. Depois do jantar, eu, ele e a namorada dele ficamos conversando sobre os dias de preguiça que eles estavam tendo devido aos festejos de fim de ano. Uma nova conversa estava acontecendo e ele se mostrava muito aberto a falar e a ouvir também.

 

 Perguntei quais eram os planos de ambos para 2018 e ambos comentaram suas metas. Perguntei se os planos já tinham estruturas e estratégias concretas. Ele disse que sim e comentou o que ele já tinha feito para alcançar pelo menos parte das metas. Ela ainda estava sem muita definição. Perguntei se eles precisavam de ajuda para isso e eles disseram que sim…Yeahhhh que felicidade!! Meu primeiro dia do ano de 2018 estava terminando bem 😉

 

Juntos, montamos um planejamento para os próximos 3 meses, um passo a passo com deadlines e tarefas, onde eles poderão, independentemente e juntamente,  viver o processo de suas metas. Apesar deles terem o sonho de ir juntos morar fora, mostrei a eles a importância do sonhar juntos, respeitando a individualidade de cada um, sem sobreposicões e imposições.

 

Após falarmos sobre as estratégias e planos de ação, coloquei tudo num quadro que temos no corredor aqui de casa, assim eles podem ver suas metas, tarefas e realizações o tempo inteiro.

 

Aprendizados:

O medo que eu senti de imaginar que eu iria ter problemas com meu filho na adolescência, me fez buscar conhecimento, ferramentas para que esta fase fosse vivida através de uma outra perspectiva. Eu poderia ter aceitado que o meu destino iria ser igual ao daquelas mães que me disseram que eu teria problemas com um filho adolescente e certamente quando este momento chegasse, eu iria me lembrar delas e me juntar a elas.

 

No entanto, eu resolvi prestar atenção na minha intuição, no que estava acontecendo no momento. Me adaptar, ter flexibilidade e resiliência ajudou tanto a mim quanto ao meu filho, para que as coisas acontecessem mais tranquilamente. Tivemos sim momentos de descordias, arranca-rabos, discussões, insensatez e inflexibilidade cometidos por ambas as partes. No entanto, coube a mim, assumir o meu papel de adulto na relação e procurar entender o processo pelo qual ele estava passando, afinal eu já tinha passado por essa fase...só que confesso que é muito difícil ver o o rosto do seu filho se enchendo de espinhas por ele estar vivendo conflitos internos (aprendizados baseados na nova medicina germânica) e não ter a permissão dele para prestar ajuda.

 

Assim como um dia eu disse para minha mãe e minha sogra que o filho era meu e que eu decidia como eu o educaria, o meu filho me disse "o conflito é meu, a pele é minha e as espinhas incomodam à você e não a mim"! Tive que colocar minha viola no saco e utilizar o posicionamento percepetivo para clarear as idéias! Haja aprendizado!  Me prontifico a ajudar quando ele pede ajuda e algumas vezes tenho que dizer não, sem dó e piedade, para o bem geral da nossa relação. 

 

 Infelizmente, filho não vem com manual! Felizmente, crescemos todo os dias…junto com os nossos filhosl!!  

 

Devo confessar que tive que buscar forças infinitas para lidar com situações novas e algumas vezes extremamente frustrantes. Além do mais, viver num outro país e lidar com o conflito entre duas culturas é desafiante para todos os membros de uma família.

 

Nos permitimos passar pela vida conforme as nossas percepções, conforme a nossa sede de mudança e isso se aplica em todas as áreas das nossas vidas.

 

Ainda estou vivendo o período de adolescência dele, que apesar da tenra idade, sempre digo que ele tem um espírito de velho. Continuo aprendendo e acreditando que depois que meu filhote fizer 21 anos, as nossas conversas serão ainda mais interativas, legais e frutíferas, como foram durante muitos dias!

 

Adolescência...não dá para passar intacto, faz parte dos desafios das relações humanas....com certeza, dá para passar mais fácil pelo processo!

 

Ufa!! 😊 

 

 

 

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