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O que eu aprendi sobre diversidade e direito de igualdade vivendo em outros países


Depois de ser convidada para falar sobre diversidade no local de trabalho, o assunto diversidade continuou pela semana a dentro. E dessa vez foi no plano familiar, onde tudo começa e onde tudo toma forma.

O meu filho começou a namorar! Hummm grande coisa… você pode estar pensando…. No entanto, o que quero dividir aqui com você é algo que me fez ver o quanto eu cresci, amadureci, mudei vivendo em uma outra cultura.

Tudo comecou quando meu filho, ainda no colégio, comecou a pegar carona com uma amiga da orquestra. Tanto meu filho quanto a amiga dele são músicos. Só que ela mora do outro lado da cidade, mais ou menos uns 70 quilometros da nossa. Depois de cada concerto que eles tocavam juntos, ela o trazia pra casa. Ela entrava, eu oferecia um chá, um bolo… Ela sempre saia tarde e eu sempre perguntava se ela não queria dormir aqui em casa pois eu ficava preocupada dela dirigir de volta pra casa dela depois de um dia tão longo….ela sempre agradecia mas não ficava...

Um dia, perguntei ao meu filho se eles estavam namorando e ele me disse NÃO. Que ela tinha namorado e além do mais, ela era mais velha que ele e ela era professor de escola (não da mesma em que ele estudava), ou seja, nas leis Australianas ela estaria infrigindo-as se ela namorasse alguém mais novo. Ele também tinha uma namoradinha que eu não conhecia, ele dizia que era apenas uma namorada e que não precisava apresentar, era da mesma idade dele e que ele a conheceu numa das viagens feitas com a escola por causa da música…e só! Minha curiosidade de mãe se esmerou 😊

Dois anos se passaram e o meu filho completou 18 anos. Agora já na faculdade, e mais independente (ele trabalha dando aula de música desde os 13 anos), ele me disse que foi contratado para tocar três semanas num musical no centro da cidade e que terminaria tarde da noite e que ficaria muito tarde para votar pra casa de trem. Para não nos dar trabalho (ele ainda não dirige) ele iria dormir na casa de um amigo ou na casa da tal amiga. Até aí tudo bem…

Como você pode imaginar, o namoro veio à tona. Depois de 4 dias dormindo fora de casa, perguntei se ele estava namorando a colega e ele disse que sim! Confesso que fiquei feliz e ao mesmo tempo reflexiva de ver que meu garoto estava vivendo uma nova fase em sua vida…que meu bebê cresceu! Perguntei se ele se sentiu bem dormindo na casa dela. Minha outra pergunta foi, “quando ela vai dormir aqui?” Ele riu e disse não sei….

Semana passada, ela veio para dormir aqui em casa..só que eu não sabia…eles chegaram tarde eu eu já estava dormindo. Quando acordei e sai do quarto, vi os sapatos dos dois na porta da entrada da casa (ela é asiática e tem o costume de tirar os sapatos antes de entrar em casa). Como de sempre, fiz minha meditação, tomei meu café e fui fazer meus exercícios. De volta pra casa, continuei minha rotina e fui fazer café para a família, agora com mais um membro…só que veio a dúvida, o que ela come no café da manhã?

Enquanto eu preparava o café, ouvindo um podcast com o fone de ouvidos, ela veio até a cozinha se despedir pois estava indo dar aula numa escola perto de casa. Perguntei se ela teria tempo para tomar café e perguntei o que ela gostaria de comer. Por sorte, ela gosta de queijo, pão e chá! 😊

Conversamos um pouco e disse para ela que ela era bem vinda e que assim que eu tivesse tempo eu iria reorganizar o quarto do meu filho para acomoda-los melhor pois eles estavam dormingo numa cama de solteiro, juntamente com o Ch’ti, o cachorro do meu filho…ah o amor é lindo 😊

Ontem, eu tirei parte do dia para colocar uma nova cama de casal, de fazer espaço no armário e gaveteiro do quarto e do banheiro para ela.

Confesso que fiquei super boba depois que terminei arrumação. Eles estavam fora de casa, trabalhando, e eu estava ansiosa para ver a reação deles quando vissem o quarto novo. Eu fui olhar o quarto depois de arrumado umas quatro vezes…parecia um quarto completamente novo!

Eles chegaram eu eu já estava pra lá de bagdá… morta de sono!

Eles deram oi e foram para o quarto e UAU…a surpresa…ele disse “que cama grande!” Eles gostaram da surpresa e agradeceram! Fui dormir.

Hoje pela manhã, no café da manhã, foi engraçado ouvir a narrativa deles sobre a primeira noite numa cama de casal. Ela disse “ele pegou o cobertor só pra ele” e ele disse “eu cai da cama!” Perguntei se eles queriam voltar para a cama de solteiro e eles disseram que Não, que vão se acostumar…

Bem, acredito que eles vão se acostumar logo com a nova cama…dormir de conchinha numa cama de solteiro é muito romântico, só que poder se espalhar na cama também é bom demais!!

Quando que eu imaginaria viver uma situação dessas? O sexo antes do casamento é errado? O sexo é sujo? Regras? Namorar ou casar com uma mulher mais velha? Uiiiiii

Nunca! Se eu estivesse ainda morando no meu país, com os meus pais, isso seria algo a ser julgado como “impuro”.

Ao revisitar a cultura do Brasil, isso ainda é considerado tabu entre muitas famílias, mesmo nos dias de hoje…. Afinal, por isso que os motéis existem, certo?

Para mim, viver numa cultura onde os filhos se tornam independentes muito cedo, tanto financeiramente quanto parternalisticamente tem sido um crescimento de visão. Eu passei a apreciar essa diferença, sem ficar julgando o que é certo e o que é errado e sim, aceitando o melhor que eu acredito ter na nova cultura e incorporando tais valores aos meus princípios.

Conversando com um amigo africano e comentando sobre fato acima citado, ele me perguntou: “E você aceita isso? Eu jamais iria aceitar minha filha trazendo um namorado para dormir na minha casa!” E perguntei, e se fosse o seu filho? E ele respondeu "aí é diferente…”

Como mulheres e mães, temos o papel de formar novos indivíduos, de passar-lhes valores que sejam congruentes com o que praticamos diariamente em nossas vidas e não apenas no que falamos da boca pra fora enquanto escondemos nossa vã filsosofia.

Nós mulheres vamos obter o tão direito de igualdade social que sempre buscamos, quando deixarmos de dar a criação machista aos nossos filhos, onde menino pode, menina não pode. O princípio de igualdade deve ser um valor ensinado em casa e não apenas imposto no local de trabalho ou no âmbito familiar.

No caso da namorada do meu filho, por ela ser 4 anos mais velha, não a torna nociva à nossa família e muito menos o fato dela vir dormir em nossa casa. Pelo contrário, temos todos a ganhar com esta interação. Respeito e valorização! E como diz a propaganda da Marisa, de mulher pra mulher!

E o que isso tem a ver com diversidade?

Para mim, tudo! A diversidade é a diferença que faz a direfença, de aceitar que existe diferença e que a diferença pode trazer benefícios, a inclusão, fazendo o bem sem olhar a quem!

Se eu quero que meu filho continue a ver nossa família como uma família onde ele será sempre bem vindo (não adianta só falar…) e que ele terá sempre o prazer de conviver conosco, eu tenho que ser responsável pelo que eu ofereço no nosso relacionamento e isso vem desde o momento em que ele foi concebido, ensinando o respeito à diferença que temos como indivíduos.

Aceitar que meu filho foi criado numa cultura diferente e que de certa maneira eu também buscava por isso, pela liberade de expressão, pelo poder de decisão, me faz ver a diversidade como parte de mim, de como eu faço parte da diversidade, dos que pensam diferente e aceitam a diferença!

Me sinto feliz de ter conseguido fazer essa transição, de passar para um outro nível de entendimento de culturas e comportamentos, e de poder ver como um simples ato de compreensão (sim, abrir a mente para o novo) pode nos levar a viver uma vida de paz e harmonia.

E aqui, o video que publiquei na semana passada falando sobe diversidade no local de trabalho.

Seja bem vindo a deixar seu comentário observando o princípio do respeito à diversidade de pontos de vista. Obrigada!

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